preambulo
January 28th, 2010é a sua pretensão que me faz preferida.
é a sua preferência que me faz pretendente.
é minha precaução,
é sua precisão.
é permanente.
é preâmbulo sem significado.
e pra mim não é pecado.
Luciana Elaiuy
é a sua pretensão que me faz preferida.
é a sua preferência que me faz pretendente.
é minha precaução,
é sua precisão.
é permanente.
é preâmbulo sem significado.
e pra mim não é pecado.
Luciana Elaiuy
Essas palavras em volta da palavra amor.
Quem são elas, sanguessugas do conteúdo alheio?
Sabem nada, sabem pouco sobre ele.
Ele, por outro lado, sempre calado.
Um pintor em vernissage
Sem convite para o próprio espetáculo.
Parece a tristeza de seus quadros,
Aparece em silêncio no próprio retrato.
O aconchego de seu quarto,
é somente interior.
E quem são esses poetas, porretas, poetas?
Escrevem frufrus em canetas bic
como se o sangue dele fosse azul
como se a rasura não fosse triste.
Enfeitando a palavra dele com outras de difícil compreensão,
Como se o amor tivesse lançamentos a dizer diagramado, mais uma edição.
Luciana Elaiuy
tomei como um não,
temi que amargasse.
tomei de litrão
tô arrotando liberdade.
(perdõe o termo, baby.. tua boca tbm não é das mais limpas).
Luciana Elaiuy
Não, não é hora de mais um texto. Mas tenho aqui essas músicas novas que um amigo me passou. É sempre assim: amigo de amigo de amigo, e de você, necas. Não, não é hora de chorar pitangas. Mas é que eu tenho aqui o pomar cheio delas, prontas em casca viva, sabores a flor da casca, eu diria. Diria também que é ironia. Nós somos a fruta pronta, madura, e de você, necas.
Não, não é hora de parar por causa de você.
Mas tenho aqui essa fome de pitangas, de beijos, de lembranças, já não sei. Sei que a música é boa pra caramba e você é idiota de me deixar ouvindo sozinha. Porque ela é boa demais pra não ser dançada, porque ela é nova demais pra ser ignorada, porque as pitangas cansam de lágrimas, porque de você necas, mas de mim, tudo. Porque de nós necas, mas de texto solto, tudo. Porque um amigo de um amigo de um amigo sempre está por perto, veja o perigo que pode acontecer comigo, se de você, necas.
Luciana Elaiuy
Chuva é água voando.
Metade caindo
Metade dançando.
Luciana Elaiuy
Antes do beijo, o obrigado.
Antes de ser educado,
o beijo.
O obrigado entre nós não é educação,
não.
Mas já é a doação,
Já é uma canção.
Antes do beijo
é o que eu vejo.
Eu vejo canção,
Eu dou os seus beijos
E educo meu não.
Mas antes dele ser obrigado
Eu beijo o contrário.
Entre nós é canção.
Luciana Elaiuy
No nono andar tem um homem fazendo sabe-se lá o quê.
Sei só que sua janela tem adesivos demais.
Desorganizados, tortos, mal colados,
Crianças.
Ele transita entre cômodos, inquieto esse homem.
E no décimo primeiro uma moça. Posso dizer assim?
Vai ver é velha. Senhora de alguém, não sei.
Sei que está monótona,
sentada
parada
E lá deve ser a sala.
Toda sala é meio morta.
Sei que falta um pouco de calor, ali. Não tem adesivo no vidro, não tem confusão.
Sei também que a ordem de lá não é tão bem vinda quanto a vista perfeita que tenho de sua situação.
Porque daqui eu vejo tudo. Só não vejo o chão.
E entre eles tem mais que canos, fios e dutos,
Tem um andar. O décimo andar. De passo ou de visão.
Como se já tentassem dez vezes ser felizes, como se ela balançasse sua cadeira dez vezes para trás relembrando os dez deslizes, e o homem dez vezes tentou tirar os malditos adesivos, no décimo primeiro cutucou um juízo e já não tão livre deixou tudo grudado. Porque sempre foi um bom marido. Pai dedicado.
Crianças.
E entre os dois, dez milhões de pequenas histórias, como as milhões de pequeninas sílabas que trocamos a toda hora.
Ali no hall de espera,
Semelhanças em vão.
É o que todo elevador esconde,
Entre o SS e o nove,
SS e o onze.
No máximo terão uma porta pra segurar.
Chaves pra balançar, uma sacola pra ajudar:
Muito obrigado.
Não há de quê.
Mora ao lado?
No nono, e você?
Luciana Elaiuy
A bala no ar já é a morte.
Antes de atirar
Ela já se perdeu.
Antes de pensar,
Antes da sorte,
Depois do poste,
Eu.
Vê? A minha defesa é igual a sua.
Morte safada, viu minha vida nua.
E ela é vermelha
A vida ainda é vermelha
Vê,
Na veia da rua.
Luciana Elaiuy
Você tem uma bala? Eu quero uma bala, você tem uma bala? Uma bala? Uma bala? Uma bala? Uma bala? Bala? Bala? Bala? Bala, bala, bala bala, bala, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla? Blá! Blá, blá, blá.. blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.
Luciana Elaiuy
Billie Holiday canta,
como eu falo de você.
Se não fechar os olhos,
A noite não vai entender.
Billie ao som das minhas dúvidas.
Billie minha tristeza
ruidosa,
exposta,
pública.
Já nem sei se ouço aplausos,
Ou se o que ouço é só a chuva.
Luciana Elaiuy