Jabá
July 1st, 2009Gente, pausa para os poemas, foco nos leitores.
Tá rolando a FLIP lá em Paraty.
Acompanhem o que rola:
www.twitter.com/VIVOnaFLIP
estarei postando. sigam!
té mais!
Gente, pausa para os poemas, foco nos leitores.
Tá rolando a FLIP lá em Paraty.
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té mais!
A bala no ar já é a morte.
Antes de atirar
Ela já se perdeu.
Antes de pensar,
Antes da sorte,
Depois do poste,
Eu.
Vê? A minha defesa é igual a sua.
Morte safada, viu minha vida nua.
E ela é vermelha
A vida ainda é vermelha
Vê,
Na veia da rua.
Luciana Elaiuy
Você tem uma bala? Eu quero uma bala, você tem uma bala? Uma bala? Uma bala? Uma bala? Uma bala? Bala? Bala? Bala? Bala, bala, bala bala, bala, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla? Blá! Blá, blá, blá.. blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá, blá.
Luciana Elaiuy
Billie Holiday canta,
como eu falo de você.
Se não fechar os olhos,
A noite não vai entender.
Billie ao som das minhas dúvidas.
Billie minha tristeza
ruidosa,
exposta,
pública.
Já nem sei se ouço aplausos,
Ou se o que ouço é só a chuva.
Luciana Elaiuy
Quando dei com a cara no poço vi que ainda sou moço
e que era bom mesmo beber daquela água e não esquecer seu gosto.
A sede tem um rosto que vale o esforço.
Luciana Elaiuy
Vou ser sincera comigo: hoje não trago nenhum hino.
Não me cubram com nenhuma bandeira, que eu não quero lutar.
Eu não quero lutar nem por mim, nem de brincadeira.
Deixem por conta do ar esse divagar,
que hoje eu quero ponteiros frouxos,
quero ter tempo pra chorar.
quero ter tempo pra chorar.
Não me enfrente, caro inimigo.
Não há muito mais que isso por aqui.
Não quero nem mesmo o orgulho burro,
nem mesmo o puro que poderia me servir.
Eu não quero acabar com essas tristezinhas
Eu quero que elas acabem sozinhas*
lenço por lenço,
antes do leve, o doído denso
Eu quero a grama fresca,
mais minha do que nunca.
E o repouso da nuca.
E o repouso da nuca?
Eu quero uma pausa.
Eu quero uma pausa.
Eu quero uma palma.
Não as palmas.
Não as almas.
Não há mãos.
Não há o que conter.
Eu me quero de volta.
Quem vai trazer?
*também não quero saber tudo sobre tudo.
Luciana Elaiuy
Se o quadrinho do jornal me fez sorrir, pode ser você?
Luciana Elaiuy
Já não estou.
Na mesa de dois, do seu lado não sou eu.
Mas já não estou uma.
Da mesa que eu como tem a provisão em dia com a mão.
A mão que leva para a boca,
a porção que não é pouca
é boa quando engorda o coração.
E eu já estou indo,
Eu vou rindo,
Porque não volto mais como antes, vindo.
Simplesmente não volto mais.
mesa de doida, nunca mais.
mesa doída não satisfaz.
Luciana Elaiuy
o silêncio é uma certeza. é o fato, é a parede branca, é o vaso em cima da mesa.
o silêncio quando é gentiliza, nem precisa que a fala seja mansa, ou indago em garganta presa.
o silêncio tem uma esperteza.
o silêncio alarga a minha visão.
tem minuto que é sua ausência, tem horas que não.
O silêncio é meu refrão.
desligo-me para te ouvir melhor.
desligo-me para ouvir-te ao sol.
E que som tem?
Tem som de ninguém, como você tem.
O silêncio é sultão e eu ouvi dizer que sou o refém.
O silêncio é perfeição, eu acredito nisso, mas tem horas que não.
E o silêncio das horas, que som tem?
A melodia das parede brancas, dos vitrais, vasos em cima da mesa,
não há sussurros de surpresa, não há sílaba de paz:
meu silêncio tem fome também.
Luciana Elaiuy
Candura.
A dureza da palavra está no fato de ser pura.
Luciana Elaiuy